Perturbando o Som do Silêncio

 

Créditos da imagem: AQUI

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Quem me conhece, sabe que eu sou uma pessoa do tipo “observadora”. Daquelas que em geral só fala quando sente que as pessoas realmente querem ouvir (eu detesto desperdiçar palavras). Não sou persuasiva, não sei forçar a barra pra ser notada no meio das pessoas, raramente sou o centro das atenções no grupo em que estou. Pelo contrário. Na agitação dos mais variados grupos, eu sou aquela que fica mais na margem, observando. Não me isolo, eu dificilmente nego um convite de estar em companhia de pessoas do meu meio social (a menos que esteja naquelas épocas de correria no semestre, hehe). E nunca nego um bom papo. Eu posso falar pouco em geral, mas eu gosto de conversar. Se eu sentir que as pessoas estão interessadas, eu falo, e aí falo bastante. E eu percebo que muitas pessoas gostam de me ouvir, porque elas vêem que meu habitual silêncio me faz perceber muitas vezes o que elas, em sua agitação, não percebem. Elas percebem que eu não sou só uma guria tímida e calada (eu sou um pouco tímida sim, mas meu silêncio muitas vezes não se deve a isso). Percebem que eu tenho PAZ de espírito, e não preciso ficar gritando coisas aleatórias no meio de uma multidão. Se tem uma coisa que meu tempo de vida me ensinou, foi aceitar minha personalidade e usá-la em benefício dos outros. E é sobre algumas impressões que eu quero falar hoje, impressões a respeito dessa agitação desenfreada das pessoas, gritos de socorro evidentes, mas que como são dados por tanta gente e ao mesmo tempo, parece que se anulam.

Gosto muito da letra da música “Sound of Silence“, do Simon & Garfunkel (não só a letra, a música é linda por inteiro). Acho que ela expressa o que eu percebo, de uma maneira generalista. A voz das milhares de pessoas se esvai no meio do individualismo delas mesmas. Todas clamam por socorro, nenhuma ouve o clamor do outro. No meio do barulho e multidões, tudo vira silêncio e solidão..

E aí, só quem está de fora, que já cansou de gritar em vão, percebe. Esse som do silêncio é estonteante, se você tentar ouvi-lo. É comum eu voltar de festas com a nítida visão da dor que as pessoas mais animadas do lugar estão passando. Isso é dolorido pra mim também. Eu sei que não sou capaz de carregar a dor das pessoas. É nessa hora então, que eu descarrego tudo na cruz, e intercedo por aqueles cujos olhares e atitudes deixaram escapar o grito de socorro. Peço a Deus para que eles encontrem o lugar certo para onde redirecionar suas dolorosas canções, sem precisar gritar e estragar a sua melodia original (a maneira original e linda que Ele criou em cada um de nós). Fico pensando que Deus deve se entristecer em ver as pessoas estragando suas próprias melodias tentando ser ouvidas a qualquer custo. E se alegra quando finalmente ouve, mesmo que já rouca e desafinada, a canção/oração de quando finalmente as pessoas decidem chegar a Ele.

Enfim, o que eu quero deixar pras pessoas nessa mensagem é uma tentativa de redirecionar todo esse clamor congestionado do mundo para o lugar certo. Primeiro, ouçam a si mesmos. Não deixem o vazio de dentro se tornar um vácuo, a ponto de não propagar o próprio som de vocês e para vocês. Antes de tentar chamar atenção de qualquer forma, tentem dar forma ao que precisam. Depois, procurem ouvidos disponíveis. Eles existem, apesar de às vezes estarem mais na margem do grupo que você pertence ou talvez às margens daquilo que você acredita (sei que tenho muitos amigos ateus, os quais respeito muito e desejo todo o bem — e aos quais eu jamais vou constranger à minha fé — essa mensagem se aplica aos que procuram Deus). Ao invés de aumentar o som do silêncio, gritando em vão, redirecionem para aquele que realmente quer te ouvir. Façam essa tentativa: fale com Deus. Informalmente, apresente o seu som interior pra ele. Ele vai ouvir e te atender. Ouça Ele (estranho né? mas o que eu quero dizer é pra ficar atento, porque Ele responde, normalmente a partir de situações e coisas naturais, mas inequivocamente perceptíveis). Você então vai saber identificar mais ouvidos à tua disposição, ouvidos de verdade. Encontrando a PAZ, estarás apto para ouvir o clamor do mundo ao redor, juntando-se àqueles que tentam abrir caminho pra todos conseguirem expressar felizes suas canções interiores.

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