Este talvez seja o post mais fofo do blog. ^^ A ideia aqui é contar um pouco de como foi adotar a Starbuck e a Olivia, e tirar algumas dúvidas que muita gente me pergunta sobre esses bichinhos. Vamos lá?

“O que vocês querem saber sobre mim?” — Starbuck
Breve apresentação e histórico
Tudo começou em meados de 2014. Pra quem não sabe, eu passei a morar oficialmente sozinha em 2013, quando mudei para meu atual apartamento. Me mudei em abril, mas logo no final de junho eu fui morar em Philadelphia por 7 meses, fazendo doutorado-sanduíche (tem posts aqui no blog sobre Philly, e mais alguns que não liberei ainda virão). Voltei para o Brasil e para meu apartamento em fevereiro de 2014. Gosto muito da tranquilidade de morar sozinha (seria difícil me convencer a morar com gente agora hehehe), mas é claro que a gente sente falta de companhia. E é aí que veio a vontade de ter um bichinho. Eu já tive vários quando morava com meus pais (cachorro, gato, tartaruga, coelho, porquinho-da-índia)… então, o desafio foi escolher qual era MAIS ADEQUADO para o momento que estou vivendo, de maneira que eu pudesse CUIDÁ-LO DA MELHOR FORMA.
Dois detalhes importantes ajudaram a restringir bem a busca pelo bichinho “alma-gêmea”: 1) Meu apartamento é minúsculo (39 m2, isso é MUITO PEQUENO), apesar do condomínio ter uma boa infra e aceitar animais; 2) eu estava em época de FIM DE DOUTORADO (apesar desse fim ter levado mais de 1 ano, heheh) e trabalhando, então eu não tinha condições de pegar um filhote de cachorro ou gato, que precisasse EDUCAR (adestrar) e dar atenção constante. Este segundo fator foi o que pesou mais para pensar em ter um roedor. No início pensei em coelho, mini-coelho, porquinho-da-índia.. mas fui pesquisando e acabei decidindo que um hamster seria a melhor opção para o momento. Então, fui atrás e adotei a pequena Starbuck (que eu também chamo de Star), em agosto de 2014.
Ao contrário da Stabuck, que foi toda planejadinha, a Olivia foi uma doce surpresa na minha vida. No início de 2015, minha irmã me contou que iria adotar uma furão (furoa? hehehe) que estava morando provisoriamente em uma amiga dela (que trabalha em um Pet Shop), mas que havia sido “devolvida” porque os donos não se acertaram. Eu achei o máximo. Tipo assim, COMO ASSIM UM FURÃO :D!!?!! Nunca tinha visto um furão na vida, e agora eu seria “titia”de um. Fui junto com ela buscar a Olivia, e já desde o primeiro dia a “nossa química” foi muito boa. Uma semana depois, minha irmã me contou, preocupada, que havia acontecido um incidente: a Olivia e sua chinchila haviam se estranhado, e como o apartamento dela também é pequeno, talvez ficasse inviável ficar com a Olivia. EU QUASE CHOREI (reação que me surpreendeu bastante), pensando que nunca mais veria ela.. até que me ocorreu: e se EU ADOTASSE a Olívia??? Afinal, a Star é super tranquila e fica sempre na gaiolinha dela de boas. Se eu deixasse a Star em um cômodo diferente, era completamente viável eu cuidar da Olivia também. E foi assim que OLIVIA ACONTECEU na minha vida. Foi uma oportunidade única que eu agarrei e talvez uma das decisões rápidas mais CERTAS que eu tomei (levando em consideração que eu penso demais antes de tudo).

Ok… Vamos ao FAQ?
Starbuck (hamster sírio)

“Amor que não se mede, amor que não se repete…”
Características Principais
Como já contei, a Star é uma fêmea de hamster sírio (que são aqueles hamster maiores, diferentes dos anões-russos que são mais comuns na grande Porto Alegre). Eu escolhi ter um hamster sírio porque, no início, eu achava que um anão-russo seria muito difícil de manipular (por serem menorzinhos e eu meio desastrada heheh). Ela está comigo desde agosto de 2014, e tinha 2 meses quando eu adotei ela (nasceu em junho de 2014). Ela tem o padrão “Black-eyed Cream“, apesar de ser bem clarinha em relação a outros “creme”.
Como adquirir?
Aqui na região metropolitana do Rio Grande do Sul, hamster sírios são meio raros, comparado ao anão-russo (aqueles pequenininhos, também conhecidos como hamster chinês). Na época que eu procurei, não achei nenhum criadouro confiável em Canoas ou Porto Alegre. Então, parti para procurar no interior do Estado e acabei encontrando a Star no criadouro Hamster Park, em Santa Maria. Sim, viajei 4 horas para buscá-la. E posso garantir que foi uma decisão consciente e sustentável: comprando de criadouros responsáveis, evitamos que não haja exploração e maus tratos dos bichinhos. Recomendo. Quanto ao preço, hamsters são bichinhos baratos. Custam de R$20,00 a R$70,00, dependendo o padrão de pelagem.
Dá muito trabalho para manter? Quais são os custos mensais?
Hamsters são bichinhos muito fáceis de se criar. Eles ficam “de boas” em suas gaiolinhas, e as únicas exigências são: ter uma gaiola grande o suficiente para eles se sentirem confortáveis, mantê-la limpa (trocar o granulado do chão mais ou menos a cada 10 dias ou quando perceber que está sujo), ter uma rodinha de exercício para eles correrem, mantê-los numa temperatura digna (ambientes internos), dar ração e água diariamente. Tirando o gasto inicial com a gaiola e rodinha, os gastos são, basicamente, a comida e o granulado que cobre o chão da gaiola. Eu compro uma ração tipo “premium” de uma marca chamada Nutropica para a Star, que não tem corantes nem transgênicos, mas existem rações mais baratas. Gasto em média uns R$40,00 por mês, entre ração e o granulado (que divido com a Olivia). Outra coisa: hamsters no geral são bem independentes, não exigem atenção do dono toda a hora (não são “carentes”).. Mas claro, com o passar do tempo e a convivência, eles começam a apreciar a atenção e carinho do dono. A Starbuck, por exemplo, sempre que me percebe por perto da sua gaiolinha, sai dos tubos ou de seu “ninho” e fica me “chamando”, olhando para minha direção e até escalando a gaiola apontada na minha direção. Ela não faz barulho, mas é perceptível quando ela quer carinho e atenção.
Como são os hábitos e temperamento?
Como escrevi antes, hamsters são bichinhos muito tranquilos. Ativos, mas tranquilos, se é que dá para entender. Eles são independentes, solitários por natureza (animais territorialistas), portanto, devem sempre ter sua gaiola individual. Ainda assim, amam receber atenção de seus donos, mas por períodos curtos de tempo. A Starbuck, por exemplo, começa a ficar visivelmente desconfortável se eu ficar brincando com ela seguido mais do que meia hora. Em compensação, se eu brinco pouco com ela, ao soltá-la na gaiola ela continua pedindo por atenção. A adaptação da Star comigo foi muito rápida e tranquila. Na verdade, quando eu fui ao criadouro escolher um hamster, uma das coisas que me atraiu na Star foi sua sociabilidade, comparada com a de outros hamsters que estavam no local. Ela nunca foi medrosa demais, nunca mordeu ou gritou ao se chegar perto. Claro que eu não fui agarrando ela direto.. Levou alguns dias (menos de uma semana) para ela se sentir segura e subir voluntariamente na minha mão, mas este foi o tempo suficiente para ela se acostumar comigo.
Quem vai curtir ter um bichinho desses?
Penso que não é todo mundo que vai curtir ter um hamster. Apesar de serem limpinhos, tranquilos e fáceis de criar, eles não são bichinhos sociáveis como um cão ou gato. Eles estão “na deles” na maior parte do tempo. Além disso, são frágeis, por conta de seu tamanho e estrutura. Portanto, não aconselho hamsters como pet para crianças pequenas (menores de 10 anos) e nem para pessoas que têm como expectativa um bichinho “amigo para todas as horas”. Para mim, e no caso, no momento em que adquiri ela, foi mais do que perfeito. ‘É o tipo de bichinho que encaixa perfeitamente com aquelas pessoas que estão num ritmo frenético de vida, mas que amam ter um bichinho.
Enumerando: Prós e Contras
Hamsters são pequenos cometas cheios de amor. Eles são queridos e ao mesmo tempo, não dão trabalho nenhum aos donos. No caso dos hamster sírios, são animais que não tem cheiro forte, não emitem sons altos e vivem completamente “de boas”, desde que seja fornecido um ambiente gostoso para eles. O único contra que eu encontro nesses bichinhos é sua expectativa de vida… A média é 2 anos, 2 anos e meio. Já ouvi de hamsters que viveram até uns 4 anos, mas é raro. Minha Star já está com 1 ano e 8 meses, e eu já percebo que ela não é mais tão ágil como há 1 ano atrás. Continua saudável e querida, mas a gente vê eles envelhecendo muito rapidamente.. e isso dá um aperto no coração, pois eu sei que sua despedida poderá ser em breve. E sempre tive consciência disso, desde que a adquiri. Portanto, precisa-se ter plena consciência de que esses bichinhos vão cruzar nossas vidas como cometas.


Olivia (furão doméstico – ferret – Mustela putorius furo)

“99% anjo, mas aquele 1%…”
Características Principais
A Olivia também é uma fêmea , e está comigo desde março de 2015. Ela é nascida em meados de 2013 (maio ou junho) e tem o padrão “Sable/Polecat“, que é o mais comum, aquele que lembra um guaxinim (máscara escura na região dos olhos). As fêmeas costumam ser um pouco menores que os machos. Nunca medi/pesei a Olivia, mas a média de tamanho desses bichos é de 50cm + cauda e pesam de 700g a 2kg. Eles são carnívoros, diferentemente dos hamsters (onívoros) e coelhos e chinchilas (herbívoros). Aliás, FERRETS NÃO SÃO ROEDORES!!! Eles fazem parte da família dos mustelídeos, que é a mesma dos texugos e das lontras :O.
Como adquirir?
Recebo muitas perguntas sobre isso, e tento ser o mais cautelosa possível para responder. Eu tenho a nota fiscal da Olivia, assim como a autorização da secretaria da agricultura para o seu transporte de São Paulo até aqui. A loja na qual ela foi adquirida precisa ser autorizada pelo Ibama para vender esses animais, que são considerados animais domésticos exóticos. Não fui eu que comprei a Olivia. Como contei no histórico, ela pertenceu a uma outra família que não se adaptou bem com ela. E foi essa família que comprou ela, seguindo todos os trâmites legais. O que eu posso dizer é: se você quiser adquirir um ferret, precisa atentar para que o criadouro/loja tenha autorização do Ibama e providenciar todo um meio legal para transportá-la até sua casa (porque muitos estados, como o RS, não os vendem). Para vocês terem uma ideia, esses bichos autorizados vem chipados (têm um microchip implantado internamente), e se algum órgão vier na minha casa eu preciso mostrar a documentação provando que sou autorizada a tê-la, sob pena de apreensão e multa. Completamente o oposto dos hamsters, furões não são bichos baratos. A nota fiscal da Olivia mostra que ela custou R$1.691,00 na época, e teve o custo do transporte de avião para o RS. Eu apenas adotei ela, portanto, não tive maiores gastos para adquiri-la (não paguei por ela).
Dá muito trabalho para manter? Quais são os custos mensais?
Manter um ferret também é relativamente tranquilo. Eles também precisam de uma gaiola ou viveiro bem grande (como das Chinchilas), com comedouro, bebedouro e “banheiro”, além de uma redezinha para eles dormirem (eles gostam de dormir nessas estruturas suspensas). Ao contrário dos hamsters, ferrets são muito interativos e curtem companhia de outros bichos (ferrets, gatos, cachorros) e de seus humanos. Quando estou em casa, deixo ela solta na sala, sob supervisão. Mas todo cuidado é pouco: como são bichos “furões” e se enfiam em qualquer cantinho, precisa-se assegurar que não haja nenhum perigo do bicho escapar ou se machucar. Enquanto soltos, eles adoram investigar cada pedacinho da casa, correr, pular, brincar com o dono. Quanto a gastos: ferrets precisam ser vacinados anualmente contra cinomose e outras doenças de cães (existe uma vacina específica para eles), e sua ração é mais rara e cara do que dos hamsters. Gasto em média R$70,00 em ração por mês com ela (da Nutrópica, também, específica de ferrets) e mais o granulado para o “banheiro”. Furões também podem tomar banho (já que são fedorentinhos), então pode ser necessário comprar um shampoo específico esporadicamente.
Como são os hábitos e temperamento?
Ferrets são 99% anjos.. mas aquele 1% hehehehe Dormem cerca de 20h por dia e querem tirar a Terra da sua órbita nas 4h em que estão acordados!!! 😉 Completamente diferente dos hamsters, eles querem você, querem sua atenção. Não chega a ser uma dependência igual a dos cachorros, é algo entre um cão e um gato. Olivia e eu tivemos uma “boa química” desde o início. Talvez porque, desde o dia em que buscamos ela para a casa da minha irmã, fui eu quem deu colo, não mostrei medo e dei carinho e atenção, ela adquiriu respeito quase que imediato por mim. Ela NUNCA foi agressiva, mas é curiosa e às vezes dá umas mordidinhas de reconhecimento nas pessoas estranhas ou para brincar de luta (tipo cachorro bebê). Ela pode ser agitada, mas quando preciso pegá-la para colocá-la de volta na gaiola, raramente ela foge. Como ela não é um roedor, ela não rói coisas.. mas tem alguns objetos com textura molinha (plástico mole, borracha) que ela gosta de morder, podendo estragar. Entende o NÃO, mas as vezes teima, te enfrenta com o olhar. O pior hábito dos ferrets, portanto é, na minha opinião, a mania de ROUBAR OBJETOS E ESCONDER EM SUA “TOCA”. Assim: aleatoriamente, ela pega coisas da casa (meias, objetos de decoração, livros pequenos, peças de jogo… HD EXTERNO.. heheheh) e leva para um canto privado dela, que no caso aqui de casa, é em um buraco que ela abriu debaixo do meu sofá da sala (não aparente, é debaixo mesmo). Então, periodicamente, quando não acho minhas coisas em casa, preciso virar o sofá e ver se não estão entre os TESOUROS ACUMULADOS da Srta Olivia.. Travessuras a parte, ela é carinhosa, gosta de dar beijos (lamber) no rosto e é muito amor <3 <3 <3.
Quem vai curtir ter um bichinho desses?
Pessoas pacientes, desapegadas com suas coisas (hehehe), e que amem bichinhos exóticos, sapecas e adoráveis <3 <3 <3. Não recomendo para crianças pequenas e idosos, porque eles podem morder ocasionalmente, em tom de brincadeira, mas que pode doer um pouco (nos adultos) e receio que possa ferir peles mais macias ou finas, como de crianças novinhas e idosos.
Enumerando: Prós e Contras
Furões são amor. A Olivia foi uma das surpresas mais maravilhosas que a vida me trouxe, e minha personalidade e estilo de vida fechou completamente bem com as exigências dela. Na minha opinião, além da dificuldade de adquirir um (pelos motivos que citei acima, de existirem poucos lugares autorizados e o custo ser alto), o grande contra que pode ser o motivo do abandono de alguns furões é o seu CHEIRO. Eles produzem um cheiro parecido com almíscar que é bem forte e característico (apesar de terem suas glândulas removidas antes da comercialização). Banho ajuda, mas não elimina totalmente. É mais ou menos como alguns cães de pêlo longo, que possuem uma camada mais oleosa que tem cheiro mais forte do que cães de pêlo curto (não conheço os termos técnicos). Minha dica antes de decidir ter um furão é visitar alguém que tenha, ou o criadouro antes e ver se o cheiro é aceitável. Se for, então é amor garantido <3 <3 <3.

Bom, o post ficou longo, mas espero que eu tenha conseguido tirar um pouco das dúvidas de vocês quanto às minhas duas fofuras. Fiquem à vontade para se expressar ou perguntar mais coisas nos comentários!!

Até a próxima, pessoal!!





