
Muito bem, quem sabe, sabe. Quem não sabe, vou resumir: estou fazendo doutorado-sanduíche na University of Pennsylvania, que fica na cidade de Philadelphia, Estados Unidos. Consegui uma bolsa de 6 meses pelo programa Ciência sem Fronteiras, do governo federal. O objetivo deste post é registrar minhas primeiras impressões sobre tudo isso, no período que abrangeu meu primeiro mês aqui.
Como minha tendência é escrever horrores, e a maioria das pessoas não tem tempo/paciência pra ler, vou tentar fazer naquele formato de tópicos, que me ajuda a sintetizar e organizar as coisas 😉 Vamos lá então. No final, coloquei o link para os 3 álbuns do Picasa que montei desse primeiro mês (sim, 3 álbuns e sim, exagerada).
0. A viagem
Para mim, viajar de avião ainda é uma diversão. E pro exterior, uma novidade. Esta foi a minha segunda viagem internacional. E coincidentemente (ou não), pra o mesmo lugar. Minha única saída do Brasil, antes dessa, foi para uma conferência em 2010, para apresentar o artigo do meu trabalho de Mestrado. Justamente para a Philadelphia. A conferência? Na Universidade da Pennsylvania. Fiquei uma semana, me apaixonei. Mas nada apontava para um retorno.
A partida foi muito querida, porque um grupo de amigos amados foi se despedir no aeroporto, e fiquei muito contente. Falando da viagem em si: foi um pouco cansativa, porque além de longa, o vôo do Rio para Atlanta atrasou 3 horas, sendo que meu vôo de POA para o Rio chegava 7h antes desse vôo. Então foram 10h “idle” no aeroporto do Rio, o que gera um pouco de ansiedade e cansaço (afinal, seriam mais de 10h de vôo ainda pela frente!). Mas de resto, foi tudo bem. Chegando em Atlanta, a imigração e alfândega foram tranquilos. Aliás, achei o aeroporto de Atlanta muito mais receptivo para a chegada nos EUA, comparado com o de Nova York (que tinha sido da outra vez). Não só pelas proporções, mas também porque eles orientam melhor as pessoas de fora, que chegam meio perdidas com a história da imigração e alfândega. Fica a dica. Depois, o vôo de Atlanta para Philly foi tranquilérrimo, minhas bagagens chegaram direitinho, e dessa vez eu tinha um colega e amigo, o Vini (que estava em suas últimas semanas também em sanduíche) para me receber no aeroporto.
É engraçado, na minha vida acontece muito disso: recorrências inesperadas (e boas!). Pessoas, lugares… Sem esperar, elas voltam, há os reencontros 🙂 Quando fui embora da Philadelphia, em 2010, algo dentro de mim gritava de que eu iria voltar (e eu ainda completamente sem planos para um doutorado-sanduíche).
1. O Lugar
Como eu comentei, não é a minha primeira vez na Philadelphia. Ainda assim, leva um tempo pra passar do status de turista para morador. Vamos então para breves informações técnicas sobre o meu lar e emprego temporários.
1.1 A Cidade
Vou de Wikipédia mesmo.. 😉
… a palavra “Filadélfia” vem do grego Φιλαδέλφεια (pronunciado [pʰilaˈdelpʰeːa], e em grego moderno, [filaˈðɛlfia]), literalmente, “amor fraterno”: φίλος (philos) significa “amor”, e αδελφός (adelphos), “irmão”.
Tá, coloquei porque achei bonito hehehe 😉
É uma das cidades mais antigas dos EUA, hoje tem mais de 1.5 milhões de habitantes. É uma cidade com grande importância histórica. Benjamin Franklin viveu nela (e por isso se encontra muitas homenagens a ele pela cidade), e FUNDOU a Universidade da Pennsylvania (Penn ou UPenn)! É uma cidade universitária, pois além da centenária Penn, possui outra Universidade grande (a Drexel), na região chamada University City, e muitas outras menores. Os principais pontos turísticos são pontos históricos relacionados à independência do país (Independence Hall, Liberty Bell), a própria cidade universitária, Penn’s Landing, Love Park, Rittenhouse Square e muitos museus. Confesso que passeei muito mais por estes lugares históricos quando vim em 2010, e vale a pena, são muito bonitos.

Um pouquinho de Philly, na minha visão de turista (fotos auto-roubadas do álbum de 2010)
1.2 A Universidade
A Universidade da Pensilvânia (University of Pennsylvania, UPenn ou simplesmente Penn) foi fundada em 1740 por Ben Franklin (a primeira a se tornar Universidade) e é uma das top 10 universidades americanas, com aproximadamente 10.000 alunos de graduação. Eu estou ligada à Faculdade de Engenharia (Penn Engineering), mais precisamente no Centro de Modelagem e Simulação de Humanos (Center for Human Modeling and Simulation – HMS), coordenado pelo professor Norman Badler, que é meu orientador durante esse tempo de Doutorado-sanduíche e um dos nomes mais importantes na área de Computação Gráfica, principalmente relacionado a humanos virtuais (que honra, hein?) 😀
O câmpus é lindo, espalhado em várias quadras da University City. Meu prédio favorito é o College Hall, também o mais antigo de todos (1873). O prédio em que eu estou estudando é o Moore Building (prédio da faculdade de Engenharia), onde fica o SIG lab, laboratório onde fico.


O ENIAC está aqui… DO LADO do laboratório SIG
onde estou trabalhando ^^ (no Moore Building)





1.3 A Casa
Estou morando na International House of Philadelphia, que é uma casa de estudantes, principalmente de fora dos EUA. É um prédio antigo, mas tudo funciona muito bem. Cada andar é dividido em “apartamentos”, com cerca de 10 quartos, uma cozinha e um banheiro (tipo vestiário de academia). No início achei que eu ia entrar em pânico tendo que conviver com “estranhos”, mas está sendo bem tranquilo. Como cheguei nas férias de verão, no meu “apartamento” só tinha uma menina. Aos poucos estão chegando as outras meninas (as aulas começam final de agosto), e por enquanto está tudo na paz (de vez em quando umas fazem umas porquices, mas tô agüentando hihihi) 🙂


1.4 As pessoas e a língua
Como da outra vez, se tem uma coisa que eu gosto dos americanos é o quão educados eles são, em geral. Parece que eles são treinados para serem simpáticos e polidos ao mesmo tempo, em situações do cotidiano. E o melhor de tudo: não são metidos, respeitam a tua liberdade. Cada um na sua. Claro, generalizar é sempre um erro, mas eu me sinto confortável dentro desse padrão de comportamento. Ao mesmo tempo, para mim, que também não sou de me enturmar fácil, sei que a distância para se criar intimidade com alguém daqui será muito longa, e muito provavelmente não cabe nesses 5 meses e 20 dias que estarei aqui. Portanto, não tenho expectativa de criar laços com ninguém. Estou aberta a conhecer as pessoas, aproveitar o máximo possível para trocar experiências. Mas sem aquela expectativa (ou afobação) de que vou sair daqui cheia de novos amigos e amigas. Meu negócio é lançar sementes. Criar contatos.
Uma coisa legal é que eu cheguei bem na semana do 4th of July (dia da Independência deles). Então foi bem legal assistir o desfile e ver o real patriotismo deles expresso nessa data.
Quanto a língua, o que posso dizer… é o tratamento de choque que eu precisava pra soltar o meu inglês hehehe. Acho relativamente tranquilo o sotaque daqui, dá pra entender bem as pessoas no geral. Mas nem sempre se entende TUDO e TODOS. Então tem que ter muito cuidado, calma, não ter vergonha de dizer que não entendeu. Como eles são educados, eles SEMPRE (pelo menos comigo até agora) te respondem numa boa. Aqui em Philly é cheio de estrangeiros, em especial na região universitária em que estou vivendo, então eles já estão acostumados a lidar com gente aprendendo a língua. E a vivência vai acostumando o ouvido, e em pouco tempo já estamos nos expressando melhor. Na primeira semana já dá pra perceber uma melhora significativa no teu listening/speaking. Vamos cometer gafes? Vamos. Mas o negócio é manter a calma e seguir em frente (“keep calm… :D”).

2. Os passeios
Ah, vamos começar a falar da parte mais divertida disso tudo 🙂 Nesse primeiro mês, em especial nas duas primeiras semanas, eu tive a companhia do meu colega/amigo Vini, que estava em sanduíche que nem eu, e durante uma semana a minha orientadora do Brasil, Soraia Musse, veio para uma visita técnica na Universidade. E como oficialmente minhas atividades só começavam dia 15 de julho, então as primeiras duas semanas foram de… PASSEIOS!!! 😀 😀 😀
Fui para New York, New Yóóóóóóóóóóór (pausa para a musiquinha do Frank Sinatra) e para Boston, além de caminhar bastante por Philly e empobrecer em conhecer um dos paraísos consumistas outlets da cidade. New York fica há 2 horas de ônibus daqui (logo, já tenho planos de ir pelo menos mais 2 vezes pra lá). E é aquilo tudo que a gente ouve. Eu adorei, apesar do calor infernal de julho (lembra o de Porto Alegre, quente e úmido). Fui em alguns lugares clássicos (passeio de balsa, 5ª avenida, Times Square, Central Park, Top of the Rock). PRECISO voltar mais vezes <3



Já Boston fica um pouquinho mais longe (6 horas de ônibus), mas vale muito a pena. Como a viagem é longa, fiquei menos tempo do que em NY (2 dias contra 1 e meio), e fui visitar as universidades da região de Cambridge (Harvard e MIT) e fiz o passeio histórico (Trilha da liberdade) no centro de Boston. Fiquei muito curiosa pra conhecer a praia e o aquário, mas não deu tempo. Também gostei muito da cidade, mas não sei se vou conseguir me programar de visitar de novo nesse período.



3. A comida
A comida vai render futuros posts ainda. As duas primeiras semanas foram tensas pra mim, por conta dos passeios, eu tinha que comer fora sempre. E meu sistema digestivo não é o mesmo de dez anos atrás (#velha), então fat fast food com freqüência não foi uma experiência muito positiva, heheh. Gostei da definição de um amigo meu sobre a comida industrializada deles: “parece isopor com algum sabor”. Tipo assim, não rola comer fora ou coisas prontas por muito tempo. Mas passados os passeios, a gente aprende onde vende arroz, salada, carne, queijo, pão, leite, ovos e começa a preparar as comidinhas em casa (na cozinha do apartamento da ihouse, hehe). E aí tudo volta ao normal 🙂
Acho que vale a pena dizer que o preço das comidas normais deles é compatível com os do Brasil (algumas coisas até um pouco mais baratas. Então compensa MUITO financeiramente preparar a sua comida, porque mesmo os fat foods sendo mais baratos que no Brasil, ainda assim são mais caros do que preparar suas comidinhas (para simples mortais pobres como eu) 🙂
4. O trabalho
Estou como “visiting scholar” (acadêmico visitante) no laboratório SIG, e a idéia é trocar colaborações entre minha pesquisa e as que acontecem no lab. Comecei oficialmente dia 15 de julho, e no inicinho de agosto meu orientador já veio com uma proposta/desafio de pesquisa bem interessante, que me fez trabalhar bastante desde então. O ambiente é tranquilo, o pessoal é quietinho (em relação ao nosso lab onde a gente faz bagunça e não cala a boca de vez em quando hehehe — brazileiros :P). Mas aos poucos estou me aproximando e conversando com meus novos colegas. Tem pelo menos 4 chineses, 1 turco, 1 tcheco (acho) e 2 americanos, dos que eu tive contato até agora. Ninguém trabalha diretamente com Animação Facial no momento, mas está sendo um tempo muito bom pra focar e produzir!! 😀


5. A Igreja
Por indicação de um amigo, comecei a visitar a Liberti Church no centro da cidade. Eu ainda estou com dever de casa a fazer de pesquisar melhor sobre as origens dela, mas está sendo um tempo muuito agradável 🙂 Estou gostando muito dos cultos, das pregações e louvor. Depois do culto, sempre tem um café no andar de cima, e lá estou conseguindo conversar com a gurizada (muito querida) e fazer amigos em potencial. Também já fui num evento fora da igreja, na casa de um casal, e foi bem legal. É muito interessante o perfil dos participantes, que são, em sua maioria, jovens em idade universitária até mais ou menos uns 40 anos. Em geral são pessoas que estão começando a vida independente (universidade, trabalho, alguns recém casados, alguns com filhos pequenos). As famílias mais maduras, em geral, moram no subúrbio. Então, estou me identificando bastante. Uma surpresa pra mim. Como escrevi antes, não sei se vou sair cheia de amigos, mas estou já com uma listinha de “amizades em potencial” 😀 🙂 🙂

6. A Consumista
Agora a parte mais engraçada e preocupante ahaheheaha 😀 Esta que vos escreve neste projeto de blog obviamente está encantada com a facilidade e as novidades para consumir qualquer coisa neste país berço do Capitalismo voraz. 😛 É claro que, sabendo da possibilidade da bolsa, eu economizei bastante pra poder comprar coisinhas legais aqui. E bom… estou no paraíso do consumo (paraaa paraaaa paradise!). Tudo aquilo que eu gosto (tecnologia, toyarts, maquiagens, roupas) ao meu dispor e com preços muito mais amigáveis que no Brasil, MESMO COM ESSE DÓLAR MALDITO NAS ALTURAS!!!
Vale a pena comentar que em NY fui nas lojas do sonho: Disney, Nintendo. Lego e Forever21. E aqui em Philly fico hooooras na Barnes & Noble 🙂 Fora as coisas do Ebay que chegam em 2, 3 dias.. Os fretes na maioria das vezes gratuitos para os US.. Enfim.. caixinhas chegando no meu correio semanalmente hihihi Mas tô consciente que tudo tem que caber nas malas na hora de voltar, e cada mala extra são U$75. :O
As fotinhos são só uma amostrinha da minhas aquisições hehehe. Pretendo fazer posts específicos sobre as coisas mais legais que eu encontrei 🙂 Óbvio que incluem as figuras de vinil Pop! da Funko, coelhos felizes, unicórninos, máquina fotográfica instantânea e outras tranqueirinhas hehehe 🙂



7. Os planos
Bom, mesmo em tópicos, o post ficou extremamente longo (mas tem muito figurinha hehehe). Meu maior plano aqui é aproveitar que não tenho outros compromissos e FOCAR NO DOUTORADO. Já fiz isso bastante no segundo mês (ok, deixando escapar que estou publicando este post com 1 mês de atraso hehehe, mas que, na verdade, foi um mês MUITO CENTRADO no trabalho, escrevendo artigo e talz, então não teve assim MUITA coisa além do que eu escrevi).
Ao mesmo tempo, tem sido um tempo de MUITO APRENDIZADO sobre tudo, afinal, não sou apenas uma turista, mas uma moradora dos EUA por seis meses. E o que realmente está me deixando muito feliz é o fato de OS DIAS RENDEREM MAIS morando pertinho do lab, sem stress no trânsito (tudo a pé ou de metrô) e principalmente sem a BR116 hehehe.. Eu simplesmente tenho as 2, 3 horas ROUBADAS pelo trânsito LIVRES para descansar, passear, enfim VIVER com qualidade. E isso certamente será o que mais sentirei falta quando voltar pra casa.
Bom, esse post demorou um pouco mais do que eu esperava, confesso que o que demorou mais foi meu perfeccionismo em escolher as fotos, e bom… como exploradora de um novo mundo, nem sempre escrever o post foi a atividade mais desejada nesses dias (SUPER SINCERA hehehe). Pretendo a partir de agora fazer posts bem mais pontuais (tipo, top X coisas legais daqui). Não prometo freqüência. 😉
Enfim, vou deixar o link para os álbuns de Philly, NY e Boston. O de Philly deve estar sendo atualizado com alguma freqüência.
É isso! Aos que chegaram até o fim, obrigada e… VENHAM ME VISITAR!! 😀

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| Philly julho-dezembro2013 |
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| NY julho2013 |
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| Boston julho2013 |










Parabéns Rossana! Te admiro muito pelo sua evolução profissional! Que essa sua energia, força de vontade e dedicação ao que faz, se multiplique, resultando em muito sucesso, e acima de tudo muita felicidade! Pessoas como você nos mostram o quanto a dedicação e foco nos objetivos nos proporcionam excelentes resultados! Para mim você é um exemplo muitoooo positivo! Abraçãoo
Obrigada, Miriam!! Minha intenção é compartilhar as coisas boas, fico contente quando as pessoas gostam 🙂