“Linhas-Mortas” e “Entre-Linhas”

Este é um post de cunho pessoal e possivelmente com uma considerável carga emocional, dado o humor daquela que o escreve. Então, se você  não curte esse tipo de coisa, acha que é  de “mulherzinha” ou acha muito “emo”, recomendo você não ler. Este blog ainda está se definindo, portanto, é possível que você encontre aqui desde posts mais técnicos até posts-desabafo dessa criaturinha que apesar de nerd, também é mulher (seres logicamente ilógicos)  e tem,  ainda por cima, uns quês meio filosóficos/artísticos de vez em quando. Ok, continuemos, pois.

Acho que é comum, perto dos aniversários, seres pensantes entrarem numa espécie de auto-análise sobre a sua vida, universo e tudo o mais. Pois bem, se não é comum aos humanos em geral, para este ser pensante é.  Estou às vésperas (falta uma semana) de entrar em minha versão 2.8, nerdmente falando. Antes que as pessoas mais velhas digam: “aaah, só 28 e tá se achando velha!”, ou as mais novas: “baah, como a tia Rossana tá véia!”, gostaria de deixar bem claro que não estou em crise com minha idade em si. Eu desde sempre sou uma criança com algumas (muitas) manias de velho.  Acho que estar se aproximando da terceira década de vida é muito legal. Ter mais de duas décadas de vida não significa estar velho. Imagino que seja uma década promissora, uma vez que ainda somos jovens, mas já temos (em teoria), alguns conhecimentos — a chamada “experiência” — que nos ajuda a vivê-la de uma forma menos conturbada que nas décadas anteriores. Bom, se eu estiver errada nesses pensamentos, a vida vai me corrigir.

A proximidade da terceira década me incomoda apenas em um aspecto, que eu descrevi certa vez no item 8 do post9 Coisas Sobre Mim“. Trata-se de um deadline definido pela natureza, e que portanto, não temos controle. Tá, a medicina evoluiu um pouco nesse sentido, mas ainda assim, é uma extensão não muito segura. E aí, por mais que eu não seja uma pessoa “desesperada” para que a coisa toda aconteça, dá um certo receio de não conseguir alcançar o sonho. São muitas variáveis que não dependem só de mim. Mas um pouco, depende. E aí entra a questão: eu não sei ao certo O QUANTO depende de mim.  Quem me conhece, sabe que pra mim é muito mais tranqüilo encarar um complicadíssimo desafio matemático do que me relacionar com humanos. E nisso, eu fico pensando O QUE eu tenho de errado para não conseguir entender esse processo que, para a maioria dos humanos, parece ser óbvio e natural.

E nesses momentos de auto-análise, eu acabo me dando por conta que SIM, existe algumas coisas que potencialmente contribuem para tudo isso, do tipo:

  • minha natureza introvertida, que vai se soltando aos poucos, mas que exige TEMPO e principalmente CONVIVÊNCIA
  • no contexto do item anterior, minha tendência é, enquanto não me sentir à vontade com as pessoas, evitar contatos físicos (o que dá uma impressão de que não sou carinhosa) e conversas muito sentimentais, o que me dá a fama de ser uma pessoa fria e insensível
  • apesar disso, minha tendência é me apaixonar fácil pelas pessoas (não estou falando de paixão homem-mulher, agora, falo de me interessar em ouvir e conhecer amizades em potencial). Eu custo a ver maldade nas pessoas, e me “encanto” rapidamente por elas, em geral. Então, quando eu percebo esse “encanto”, ao mesmo tempo, como uma espécie de mecanismo de auto-proteção (dadas algumas decepções em amizades), eu acabo  reprimindo algumas reações de carinho e evitando longos contatos no olhar. Desvio direto os olhos, e acho que isso incomoda as pessoas… e essa história de desviar o olhar eu reconheço que é uma fraqueza minha, um “medo” que precisa ser superado o quanto antes…
  • reconheço também que muitas vezes na minha vida eu não dei atenção para pessoas que de fato demonstraram interesse por mim (tudo isso eu falo valendo pra amizades). Algumas vezes na vida, caí na besteira de me fascinar por pessoas complicadas, ingenuamente pensando que eu poderia ajudá-las, mas que não souberam me ouvir (me ignoraram e de certa forma, rejeitaram), enquanto que acabei ignorando pessoas que estavam ao meu redor, querendo me ouvir, criando uma cadeia de relacionamentos não-correspondidos. Hoje eu estou consciente mais do que nunca sobre isso, e quero ter mais percepção para valorizar essas pessoas tão queridas (espero não ser tarde demais).
  • e o último ponto é a história das “entrelinhas”… dizem que as mulheres costumam ser boas em “captar” essas coisas. MAS EU NÃO ENTENDO ENTRELINHAS!!! >.< Ou pior… eu às vezes fico encucada, com uma “pulga atrás da orelha”… Como se tivesse algo dentro de mim querendo me avisar de alguma coisa, mas com uma linguagem indecifrável. Aí quase queimo meus circuitos pensando o que pode ser… Tento montar no meu cérebro uma árvore probabilística de possibilidades e não chego a conclusão nenhuma. E aí, segmentation fault, esses algoritmos exigem muito além da minha capacidade. Portanto, como eu já escrevi naquele outro  post sobre mim: pessoas ao meu redor, sejam diretas e não me deixem pensar demais. Isso vale para todo e qualquer relacionamento comigo, não estou falando só do problema do deadline.

É isso. Argh! Talvez eu esteja me expondo bastante escrevendo essas coisas. Mas ao mesmo tempo, desabafar é bom. Se você leu e quer dar uma dica a esse pobre ser pensante contribuindo nessa compilação da sua vida, comenta aí.

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