Se as pessoas lessem pelo menos 1 artigo aleatório da Wikipedia diariamente, em pouco tempo teríamos uma sociedade um pouquinho mais culta.
Adoro conhecimentos gerais. Quando eu era pequena, passava horas na casa de meus avós folheando aquelas enciclopédias de capa dura, antigonas. Mas o tempo passa, a gente cresce, escolhe uma área de estudo e acaba, na correria, ficando muito focado apenas nessa área…
Tudo começou em agosto do ano passado, quando viajei pra São Paulo para tirar os visto para os EUA. No aeroporto de Porto Alegre mesmo, caí como um patinho no engodo do “Ei moça, quer ganhar uma revista?“. Muito ingênua, eu achei que ganharia 1 revista se provasse que era cliente de cartão de crédito. Achei que a estratégia era ler a revista-presente e, caso gostasse dela, eu assinaria ela um dia. Tolinha. Quando terminou o papo enrolado deles, eu havia cometido o deslize de ter assinado 3 revistas da Editora Globo por 1 ano e meio (teoricamente, pagando apenas por 1 ano). Enfim. Na época fiquei com muita raiva da minha babaquice. De fato, aquilo é um golpe, os caras do estande são daquelas pessoas extremamente persuasivas e chatas, que se você não for claro e rejeitar no início, bye bye dinheiro. E como eu tenho essa característica passional e indecisa que me dificulta dizer um “NÃO” com todas as letras, me ferrei. Pelo menos foi essa a sensação que tive ao sair do aeroporto naquele dia (e um aprendizado pra toda vida, depois disso comecei a dizer uns NÃOs mais altos por aí :P).
Passada a dor do golpe, falemos das revistas. Meu pacote inclui uma revista semanal (que eu escolhi a Época) e mais duas mensais (que eu escolhi a Galileu e a Casa e Jardim). Abstraindo o fato de eu pagar uma quantia mensal que eu poderia estar colocando na poupança, até que não me desagradei de voltar a ter contato com revistas de assuntos mais gerais. Na verdade, até gostei. As revistas são bastante abrangentes em termos de curiosidades, e cheia de figuras bonitas e coloridas pra se olhar (meu lado criança de ser atraída pelos desenhos). E estão desempenhando um papel social interessante. Normalmente quem recebe as revistas é a minha vó, que gosta muito de ler. Então antes de chegar em mim, elas têm passado a semana com minha vó e minha irmã, que vem visitá-la umas 2 tardes por semana também faz proveito delas. E assim, posso pelo menos me sentir menos culpada pelo feito de tê-las assinado.
Além disso, posso dizer que, para uma pessoa como eu, muito focada na área de atuação da profissão, ter contato com esses veículos de informação que, apesar de bastante populares e por vezes tendenciosos, tem sido uma maneira indolor de acrescentar conhecimentos gerais na minha vida. Elas jogam ao ar diversos temas de forma bem superficial, mas que atiçam a curiosidade para a investigação de assuntos variados. Eu, por natureza, sou uma pessoa que gosta de ler artigos gerais sobre ciência (biologia, medicina, geografia, psicologia), porém o tempo é limitado para estar buscando constantemente. E essas revistas (em especial a Época e Galileu) servem como espalhadoras de sugestões de temas pra estudar. Junto a elas, ainda acompanho virtualmente, pelo twitter, a revista Super Interessante, que seria a “Galileu da editora Abril” ;).
Minha hipótese é:
“Na vida, é melhor conhecer um pouco sobre tudo do que somente tudo sobre um pouco.”
Claro, quando se fala em profissão, é importante ser focado. Mas me refiro ao conhecimento geral, para ser aplicado em todas as áreas da vida. Uma visão mais “holística”. Já esse “tudo sobre um pouco” na minha vida é caracterizado pelo Doutorado (e o Mestrado, que já me focou em uma área de conhecimento). Mas não dá pra viver só disso. E aí minha sugestão é: todos devemos buscar, pelo menos, meios razoavelmente confiáveis para prover um conhecimento em alto nível das coisas da vida, universo e tudo mais. Dentro desse contexto, eu proponho a seguinte teoria:
“Se todas as pessoas lessem pelo menos um artigo da Wikipedia por dia, em poucos anos teríamos uma sociedade mais mais culta (em relação ao que é hoje, infelizmente).”
Minha campanha é que todos poderiam clicar de 1 a 3 vezes por dia no link Página aleatória da Wikipedia e se comprometer em ler o conteúdo 🙂 e incentivar as pessoas de seu círculo social a fazerem. Ainda que a Wikipedia seja questionável (alguns artigos precisam de melhores referências) , ela provê gratuitamente conhecimento geral e acessível a todos (eu particularmente AMO a Wikipedia). Seria um bom começo. Seguir jornais e revistas no twitter também é uma idéia legal, é incrível a quantidade de artigos que são publicados em meio digital e com acesso gratuito. E claro, acima de tudo, NUNCA deixar de ler livros da sua preferência (literatura e livros técnicos).






Eu também caí no conto da revista 1 vez a dez anos atrás. Não cheguei a assinar, mas eu não sabia que tinha este tipo de coisa dentro de um aeroporto. Na época não tinha isto no Salgado Filho e eu fiquei bem puto da cara em saber que tinha em outros 🙁
Um upgrade do teu conselho seria ler os artigos em outra língua (não necessariamente o Inglês) e em voz alta, isto ajuda na prática de outro idioma 🙂
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/en/wiki/Special:Random
Haha o conto da revista é algo da mesma laia dos telemarketings. Enchem o saco e se a gente der uma brecha, conseguem estragar com a nossa vida.. mas efetivamente, asssinar uma revista é uma coisa interessante.
Gostei da ideia da wikipedia. Seguido apareço lá pra entender coisas.. recomendo o que li sobre Tim Maia racional e teorias adjacentes, bem como sobre as teorias que inspiraram o Raulzito. Vale a pena.
Eu não cheguei a cair no conto da revista, porém incentivei minha irmã que assinasse (sim, eu sou mal :P) mas acredito que ela não se arrepende pois embora ela tenha assinado por um preço mais barato (muito mais barato – ainda mais para ela que costumava comprar as revistas na banca de vez em quando), ela ainda ganhou de presente diversas outras revistas e especiais que vinham incluído com a assinatura. Isso sem falar que ela ainda ganhou o Guiness Book de 2011, assinando as revistas. Enfim, fui pegar ela no aeroporto, ela assinou as revistas e ainda saiu com uma pilha de revistas “brinde”.
Quanto ao Wikipédia, embora eu goste, eu não tenho o costume de ler coisas aleatórias nele. Normalmente quando eu quero saber alguma coisa que não é específica, eu vou nele para procurar. Quanto a língua usada, eu procuro utilizar a língua de origem do artigo (isso funciona muito bem para histórias e locais). Por exemplo, alguns dias atrás eu estava procurando dados a respeito da cidade de Trento. Em português existem algumas informações a respeito da cidade, porém as informações em italiano são muito mais ricas (e precisas), portanto comecei a ler em italiano ao invés de ler em português.
Não utilizo a Wikipédia para aprender outras línguas, embora essa idéia dada pelo Fabio faça muito sentido. Normalmente procuro utilizar meios como Google news para ler notícias em outras línguas, pois muitas vezes isso facilita o entendimento, visto que já se tem uma noção do que a matéria trata (como por exemplo o terremoto no Japão).
No final falaste a respeito da leitura de livros… Lembro que quando comecei o mestrado eu tive uma grande dificuldade com a leitura de livros, pois sempre gostei muito de ler, porém quando estava lendo eu ficava pensando que seria mais produtivo se estivesse lendo um artigo científico ao invés de um livro. Tive um grande problema com isso até o fim do primeiro ano do mestrado e acredito que só li uns dois ou três livros naquele ano. Hoje em dia eu sou mais tranquilo com isso e se estou em casa, dificilmente vou ler um artigo (prefiro o velho livro de cabeceira hehehehe).
Muito bom o post! 🙂
Gosto muito da WIKI, vou fazer disso um hábito toda vez que entrar na internet, recebi também uma destas revistas, aceitei achando que era apenas aquele exemplar , mas depois mandaram o “pacote” já cobrando, mandei eles direto pra Revista do consumidor a “PROTESTE” e eles retiraram a cobrança e não me cobraram as que eu recebi.
Sobre os livros , meu conselho é ler pelo menos 6 páginas por dia , seja o livro que for, e pra quem vai começar ,deve ler os mais curtos de até 100 páginas, depois vai evoluindo (para um Harry potter ou coisa assim).
Hoje eu leio 2 livros por mês ( média de 300 páginas) e meu português melhorou muito, até arrisco a fazer algumas críticas de erros graves em textos na empresa , (parece que não aprenderam a utilizar o corretor ortográfico do word) é muito bom, e olha que eu odiava ler livros sem figurinhas outra coisa é o exemplo, minha filha de 4 anos já tem o hábito de “ler” suas estorinhas.
Parabéns pelo post!